A lição do Bambu Chinês

A história do bambu chinês é muito interessante e pode ser aplicada também ao Desenvolvimento Territorial de Comunidades.

Depois de plantada, a semente do bambu chinês passa os 5 primeiros anos crescendo e se fortalecendo abaixo do solo, apenas um pequeno broto é visível. Durante esse anos, uma complexa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra, está sendo construída. Para que vê, parece que não há nada e então, ao final do quinto ano, o bambu chinês cresce até atingir uma altura de 25 metros!

Além de ter seu desenvolvimento baseado em um bom alicerce, o bambu é uma planta extremamente flexível e versátil, podendo ser usado para diversos fins, desde produção de papel à construção civil, tanto nas construções a prova de terremoto quanto em casas artesanais e ecológicas, passando ainda pela confecção de instrumentos musicais, móveis, artigos de decoração, instrumento para a prática de massagem terapêutica (bambuterapia) e até alimentos como é o caso do broto de bambu comestível.

Toda esta versatilidade só é possível devido a características importantes desta planta: por sua resiliência, flexibilidade e força. Um outro aspecto importante a ser analisado no bambu é de que eles estão sempre agrupados, assim ficam mais resistentes e, consequentemente, menos vulneráveis às adversidades da natureza. Se manter unido é uma boa política de sobrevivência! O bambu também é cheio de nós. São estes nós que dão forças ao bambu para ficar em pé porque ele é oco e os nós são o ponto de força e resistência da planta. Mas eles não tiram sua flexibilidade.

“Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês. Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e, às vezes, não vê nada por semanas, meses ou anos. Mas se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu quinto ano chegará e, com ele, virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava…”. (Escritor Covey)

Assim é o desenvolvimento territorial de comunidades; nos primeiros anos há muito trabalho de articulação, formação de redes de cooperação e trabalho, formação do senso de comunidade, compreensão das necessidades locais, desenho do sonho para o território e uma série de atividades que são “invisíveis” para quem vê de fora mas são cruciais para o fortalecimento de relações, compreensão dos objetivos comuns, empoderamento dos moradores, conhecimento de direitos e potencialidades, conhecimento dos ativos locais, compreensão de como cada um pode contribuir para o desenvolvimento planejado. Esse processo requer flexibilidade para curvar-se sempre que necessário, adaptar-se a novas situações, experimentar algo inédito ou tentar algo desafiador e muita força e persistência para continuar… é uma rede interna de relações e planos que dão uma base sólida para que a comunidade se desenvolva com mais autonomia, velocidade, de maneira mais planejada e gerando maior impacto quando todo esse trabalho que foi semeado possa crescer e se desenvolver de maneira cooperativa e consistente!

A história do bambu chinês nos mostra que, assim como no desenvolvimento de comunidades:

  • Nosso crescimento e maturidade podem demorar um tempo para se mostrarem visíveis ao mundo;
  • Precisamos de um bom alicerce para nos desenvolvermos plenamente;
  • Uma aparência frágil não significa falta de resistência;
  • Precisamos ser firmes em relação aos nossos propósitos;
  • Unidos somos mais fortes frente às adversidades;
  • Nossas marcas nos transformam e fortalecem;
  • Apesar de vivermos em sociedade nosso desenvolvimento é individual;
  • Precisamos valorizar nossas sementes!

“Lembre-se que é preciso muita ousadia para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita profundidade para agarrar-se ao chão.”

(autor desconhecido)