Coletivo Panteras Produções

2019

Galeria de Fotos

A Iniciativa

Quem Somos

O Coletivo Panteras Produções surgiu a partir da 6ª turma do Escola de Notícias – iniciativa social da região de Campo Limpo que busca inserir jovens no mercado de trabalho de comunicação através de tecnologias de informação – em que parte dos integrantes fizeram oficinas de Audiovisual ou Jornalismo.

Sentindo a necessidade de representação, o grupo entende que a questão racial dentro das plataformas midiáticas deve ser priorizada, pois sentem que os negros foram negligenciados e invisibilizados, até mesmo ridicularizados, afetando profundamente sua auto estima.

Assim, o coletivo entende que a imagem tem uma importância crucial no resgate da ancestralidade e, por consequência, na vida social de cada indivíduo negro da quebrada.

O objetivo do trabalho é criar espaços onde negros vejam-se e sintam-se protagonistas de suas próprias histórias.

Distrito

Capão Redondo

A Proposta

O projeto Conexões Periféricas tem como objetivo inspirar a conexão entre empreendedores de brechós e artistas periféricos, ligando a necessidade do empreendedor de divulgar seu brechó com a de modelos e artistas periféricos de promoverem seus trabalhos.

O Coletivo Panteras Produções será um facilitador desse encontro e produzirá material de divulgação digital para cada brechó (contendo criação e consultoria para os perfis nas redes sociais, fotos para publicação, divulgação nas redes) e outro para cada artista periférico participante do projeto (contendo o ensaio fotográfico e material para portfólio).

O Contexto

As mídias e a publicidade, atualmente, vinculam a ideia de perfeição à magreza, cabelos lisos, pele clara e padrões que não levam em consideração a pluralidade e miscigenação da população brasileira; ainda mais distantes para moradores das regiões periféricas em cuja segregação socioespacial, forçada pela sociedade e estado, empurra-os para cada vez mais longe, não só do centro da cidade de São Paulo, mas também da aceitação estética individual e coletiva. Aliado a isso, o consumo das periferias é feito, principalmente, em grandes lojas, muitas vezes em outras regiões, e pouca atenção é dada aos estabelecimentos locais, tanto por desconhecimento do que existe como por “status”.

Tomando por exemplo a indústria têxtil, é muito comum ao público geral procurar por preços mais baratos. Necessidade prontamente atendida pelas cadeias internacionais de lojas de vestuário, que ocupam esse mercado com ética questionável e concorrência desleal. Ao explorar mão de obra em regimes análogos à escravidão dentro de suas cadeias de fornecimento, gerar enorme quantidade de resíduos prejudiciais ao meio ambiente e nem sempre descartá-los de maneira adequada. Segundo o relatório “Moda suja”, da Changing Markets Foundation e com dados do Banco Mundial, produtores de viscose e marcas da indústria têxtil são responsáveis por cerca de 20% da poluição do ar e água. Isso torna os preços dessas grandes cadeias de produção muito mais baixos e atrativos que o de qualquer produtor local, ainda mais se esse produtor for periférico. O grande capital e influência dessas lojas é acompanhado geralmente de uma publicidade invasiva e de tendências de moda cada vez mais passageira que atrai uma enorme quantidade de consumidores que deixam de lado pequenos produtores de vestuário e consequentemente deixam de movimentar a economia local, em um processo cíclico que gera ainda mais acumulo às grandes redes.

Os brechós são uma alternativa para estar na moda, economizar, ajudar a reduzir o desperdício têxtil e fazer a economia criativa local girar. Além de ser parte substancial da cultura de consumo periférica, há décadas estigmatizada e que pode ser resgatada.

As fotos que serão produzidas são de extrema importância para artistas e brechós. Os brechós encontrarão em nossos serviços uma forma de alcançar mais visibilidade e aumentar sua arrecadação.

No caso dos artistas esse material é uma forma de otimizar o seu portfólio (ele terá um material tácito de divulgação do seu trabalho, comumente exigido em produtoras de comunicação e outros ramos da arte; além de participar de uma experiência de ensaio fotográfico profissional).

Como Funciona

O Projeto Conexões Periféricas visa assistir 7 brechós e impulsionar 23 modelos que serão selecionados virtualmente com o preenchimento de um formulário no Google Docs. O processo será dividido em 5 etapas:

  1. Seleção: O público alvo para seleção é o de mulheres, donas de brechós, de 18 a 60 anos, que faturem de R$ 100,00 a R$ 2.000,00 por mês com seus brechós; e artistas periféricos negros, de 18 a 25 anos, com renda inferior a dois salários mínimos mensais e não profissionais. Será feita a seleção dos modelos e brechós por meio de preenchimento de formulário online no Google Docs. Serão pré-requisitos para participar da iniciativa: a) residir na região sul, nos distritos de Capão Redondo, Jardim Ângela ou Campo Limpo; b) possuir mais de 18 anos.

Alguns critérios serão priorizados para a seleção, visando contemplar a diversidade do território:

  • Brechós: raça, gênero, disponibilidade de agenda e menor faturamento mensal;
  • Artistas: raça, regionalidade. Artistas independentes ou não atuantes no mercado de trabalho.
  1. Entrevistas: Serão marcadas reuniões grupais com as donas dos brechós selecionados, avaliando a disponibilidade destas (caso alguma não consiga comparecer será feito um encontro individual) para entendimento das especificidades do empreendimento, apresentação de técnicas de marketing virtual para os empreendedores em forma de roda de conversa com convidado especialista na área. Além disso, nesse momento começara a se pensar a criação de redes sociais junto aos donos de Brechós traçando para cada empreendimento um plano de mídia e um plano de divulgação. Coletivamente entendendo e alinhando as expectativas, e pensando, juntos, uma estética que caiba a cada brechó. Depois disso, será definida a agenda dos ensaios de cada brechó. As roupas serão selecionadas pelos donos dos brechós em um período próximo à data dos ensaios. A comunicação antes e após estes encontros será feita por telefone e Whatsapp.

Com os modelos selecionados, será marcado um encontro geral para explicar o projeto, alinhar expectativas, apresentar os brechós e alinhar as agendas dos participantes. No mais, os contatos se darão por telefone e Whatsapp.

  1. Ensaios fotográficos: A partir do casting criado para cada empreendimento, os artistas escolhidos serão contatados, levando sempre em consideração a maior pluralidade de tamanhos e formas para os ensaios. Antes de cada ensaio, os artistas farão uma refeição e ouvirão um breve resumo sobre o projeto. Após os ensaios serão enviados o material produzidos tanto para os artistas quanto para os empreendedores. Além de participar de uma experiência de ensaio fotográfico profissional, o artista terá o material como uma forma de otimizar seu portfólio (material fotográfico é exigido em produtoras de comunicação e de outros ramos artísticos).

 

  1. Divulgação: Cada empreendedora será consultada individualmente após o ensaio para a devolução das roupas e para que avalie o produto preliminar das sessões, que será selecionado, editado e entregue à cada uma em formato digital via uma pasta exclusiva no google drive. Esse é também um momento para que elas façam apontamentos sobre a abordagem que gostariam de colocar nas redes sociais. Tendo em mente a estética imaginada em reunião, serão feitas as primeiras postagens junto com cada dono de brechó individualmente, apresentando as ferramentas e especificidades das suas redes sociais (Instagram/Facebook). Serão relembradas as técnicas de marketing virtual, o plano de mídia e de divulgação. As dúvidas que surgirem por parte dos empreendedores serão esclarecidas e prestaremos suporte até o fim do projeto via Whatsapp. Vamos seguir as páginas dos empreendimentos e modelos, acompanhando as publicações feitas e divulgando-as até o fim do projeto. Os artistas também receberão acesso a uma pasta no drive com suas fotos, que poderão ser usadas em seus portfólios e redes. As fotos são extremamente importantes para trabalharmos a imagem do comércio periférico pois com elas iremos desmarginalizar a imagem criada pela sociedade que tendem a achar brechós lugares sujos e empoeirados. Com as fotos e os apontamentos feitos, iremos auxiliá-los a usar técnicas de postagens (hora certa para postar, tipos de legenda, redes que devem marcar) para dar visibilidade aos seus empreendimentos na comunidade. O projeto irá divulgar os materiais produzidos através de QR codes, postagens no Instagram e post de Facebook.

 

  1. Acompanhamento: Ao fim do projeto, os participantes participarão de uma pesquisa de satisfação em formulário online, onde irão responder perguntas que ajudarão a entender como o projeto afetou sua carreira ou empreendimento.

O Público do Projeto

  • Mulheres, donas de brechós, de 18 a 60 anos, que faturem de R$ 100,00 a R$ 2.000,00 por mês com seus brechós; e artistas periféricos negros, de 18 a 25 anos, com renda inferior a dois salários mínimos mensais.
  • Serão beneficiados diretamente 35 pessoas: 7 donas de brechó e 23 modelos e artistas, localizados na região da subprefeitura do Campo limpo.
  • Os afetados indiretamente serão aproximadamente 400 pessoas de diferentes faixas etárias, alcançadas por meio de postagens via redes sociais. Estes, encontrarão representatividade em um meio de comunicação acessível, enxergando a beleza de pessoas negras sendo valorizada e evidenciada. Conhecerão uma alternativa de consumo têxtil próxima de onde moram, e uma forma de ajudar a fortalecer o comércio local.

Os Objetivos do Investimento

  • Mudar a percepção semiótica da comunidade sobre suas corporeidades e subjetividades que por anos foram e ainda são bombardeadas pelos estímulos estruturalmente nocivos da publicidade consumista.
  • Movimentar a economia criativa da região gerando oportunidades aos moradores como: geração de renda, fomento do comércio local, divulgação dos estabelecimentos regionais, consumo consciente, apresentar alternativas de preço acessíveis dentro da própria região, gerando desenvolvimento local.
  • Fortalecer a independência financeira feminina, visto que a maior parte dos brechós é gerenciada por esse recorte de gênero.
  • Quebrar padrões de consumo impostos pela publicidade; prejudiciais ao indivíduo, sociedade e meio ambiente.
  • Quebrar padrões de beleza impostos pelas mídias; valorizando as diferenças e diversidade presentes nas regiões periféricas. Levando em conta especialmente a valorização da figura da mulher negra, recorte social mais prejudicado e afetado de forma mais pungente pela cultura de padronização.