Projeto Comunidade Saudável (ano 5)

2019

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O CPCD

O CPCD é uma organização não-governamental, fundada em 1984 pelo educador e antropólogo Tião Rocha, em Belo Horizonte/MG, para atuar nas áreas de Educação Popular de Qualidade e Desenvolvimento Comunitário Sustentável, tendo a Cultura como matéria prima e instrumento de trabalho, pedagógico e institucional.

Sua missão é ser uma instituição em permanente aprendizagem nos campos da Educação e do Desenvolvimento, tendo a Cultura como matéria-prima e instrumento de ação.

Desde 1984, o CPCD se dedica à implementação e realização de projetos inovadores, programas integrados e plataformas de Transformação Social e Desenvolvimento Sustentável, destinados, preferencialmente, às comunidades e cidades brasileiras com menos de 50 mil habitantes onde vivem mais de 90% da população brasileira.

O CPCD e a Fundação ABH firmaram uma parceria para dar início ao Projeto Sementinha na Chácara Santo Amaro (distrito de Grajaú) em São Paulo.

Projeto Comunidade Saudável

Objetivos do Projeto:

Contribuir com a transformação de São Nicolau e Novo São Norberto em comunidades saudáveis, tendo os 16 princípios da “Carta Terra”, como os norteadores de todas as ações.

Os objetivos específicos são:

  • Realizar o IPDH (índice de potencial de desenvolvimento humano) da comunidade: leitura dos saberes, fazeres e quereres da comunidade;
  • Identificar e mapear os “pontos luminosos” (humanos, sociais e culturais) da comunidade, ao longo do projeto;
  • Formar, técnica e eticamente, um time de Agentes de Desenvolvimento de Comunidades Saudáveis / ADCS;
  • Construir com este time um PTA (Plano de Trabalho e Avaliação);
  • Implementar as ações previstas no PTA e promover as atualizações necessárias, ao longo do projeto;
  • Construir com os ADCS e a Comunidade as MDIs (Maneiras Diferentes e Inovadoras), ao longo do projeto;
  • Implementar o sistema de monitoramento (MPRA) dos processos, impactos, produtos e resultados de aprendizagem e das ações realizadas, trimestralmente ao longo ao projeto;
  • Mensurar os indicadores de qualidade de projetos sociais (IQPS) ao final de cada ano.

Metodologia:

Desde o início das atividades nos territórios, buscou-se identificar, mapear e aprender os IPDHs – “Indicadores de Potencial de Desenvolvimento Humano” – existentes em São Nicolau e Novo São Norberto.

Para isto reunimos em cada território/comunidade, de forma articulada, integrada e solidária o trinômio:

  1. Recursos locais humanos e potenciais – o lado cheio do copo, capazes de produzir AÇÃO: Acolhimento, Convivência, Aprendizagem e Oportunidade. Olhar a comunidade não por suas carências, mas pela sua potencialidade é construir um novo paradigma, um novo jeito de olhar, pensar e atuar. Aprender os “pontos luminosos” e transformá-los em “feixes de luz e calor” é o compromisso profissional dos ADCS (Agentes de Desenvolvimento de Comunidades Saudáveis), juntamente com as lideranças e parceiros que vem integrando a plataforma.
  2. Participação e comprometimento do time e das comunidades envolvidas em todas as etapas – apreensão, consolidação e devolução de processos, impactos, produtos e resultados das atividades diversas, gerando o empoderamento comunitário, alicerce de todas as ações programáticas e da construção de autonomia. Para isso é importante o investimento permanente de energias e recursos na formação do time e das instituições parceiras, garantindo aprendizes permanentes, provocadores de mudanças, criadores de oportunidades, promotores de generosidade e cidadania, construtores de pessoas e comunidades saudáveis.
  3. Pedagogias educacionais – (Roda, Brinquedo, Abraço, Sabão e Copo Cheio), as tecnologias sociais (Plano de Trabalho e Avaliação/PTA, Monitoramento de Processos e Resultados da Aprendizagem/MPRA, Indicadores de Qualidade de Projetos Sociais/IQPs e Maneiras Diferentes e Inovadoras/MDIs), além de produtos educacionais reconhecidos (Algibeiras de Leitura, Bornais de Jogos Pedagógicos).

Depoimentos

“Eu estava com depressão quando a Patrícia me falou sobre a proposta de ter o projeto aqui no bairro. No começo eu não queria nenhuma responsabilidade, pois eu já estava frustrada com a situação dentro da minha casa. Então minha filha de 9 anos me disse o quanto sou bonita e importante para ela, pois minha depressão também foi devido ao meu problema de obesidade. Assim percedi o quanto estava difícil para ela também porque ela estava com muitas responsabilidades; era mãe, irmã, filha, ela fazia tudo. Quando comecei a fazer parte do projeto fui percebendo o quanto sou importante, cada coisa que faço é valorizada! E as crianças nunca se importam com o fato de eu ser gorda ou por ter o cabelo curto. E assim mostro o que sei para as crianças e vou aprendendo também com elas, e venho descobrindo muitas coisas no projeto como, por exemplo, o quanto sou importante para mim mesma e quanto posso estar ajudando outras pessoas. Meu olhar mudou diante das coisas simples, das quais eu não dava valor. Hoje eu não preciso do dinheiro para sair e me divertir com os meis filhos, apenas faço um suco, pego umas frutas, vou ao parque e passo o dia com eles. A gente brinca, corro sem ter vergonha do meu corpo e vejo a felicidade dos meus filhos. Hoje minha filha de 9 anos é uma pessoa feliz; ela me ajuda com sugestões para atividades no projeto; hoje sim ela é criança! Não me vejo mais como uma pessoa obesa, me vejo como um ponto de luz! Tenho muito a fazer e aprender!”

Amanda Martins Fernandes (Educadora)

‘’Com a roda aqui no Sementinha, a gente tá aprendendo a respeitar mais as pessoas!’’

Samuel Wellington da Silva – 08 anos

“Eu percebi a mudança de comportamento da Ana Clara quando retornamos das férias. Nesse período ela falou que foi muito difícil para ela porque ela já estava acostumada com a rotina de vir ao projeto. Quando voltamos das férias ela veio diferente, mais amorosa e amiga e querendo ajudar em tudo, até na faxina do projeto. Ela organizou os jogos sem precisarmos pedir, depois deu um recado para a turma falando que quando eles terminassem de brincar com os jogos, que guardassem bem direitinho porque, se não cuidar, acaba estragando. Agora ela está fazendo muita leitura, ainda mais com os inúmeros gibis da Turma da Mônica que foram doados. Ela não para de ler e incentive os colegas, contando as histórias e fazendo com que todos fiquem curiosos e busquem ler os gibis.”

Amanda Martins Fernandes (Educadora)

“Gosto muito daqui, queria vir todos os dias, mas às vezes minha mãe não deixa. Gosto também de inventar, que nem ontem quando a gen­te fez o tapetinho de canudo com revista. Aqui já aprendi dividir os brinquedos, o lanche, os livros. Já ensinei duas brincadeiras para os meus irmãos e amigos da escola, foi o tic-tac-pom-pom e o vivo-mor­to. Ontem também aprendi o jogo do bornal, só que tenho que treinar o jogo Descobre e Cobre. Aí antes da gente ir embora fazemos a roda pra saber como foi o dia, a gente faz isso todo dia!”

Mariah Cláudia Oliveira Santos – criança do Sementinha

“Acho o projeto legal, aprendo brincadeiras, tem tantas coisas que já aprendi, acho que aprendi umas 27 brincadeiras, acho pouco ainda. Já ensinei a fazer barquinho e um passarinho de papel. Se eu puder posso ensinar o pessoal a fazer uma flor de papel, só preciso de uma caneta e uma folha, só que preciso treinar um pouco porque na primeira vez que eu fiz não deu muito certo. Só não gosto muito de ler, porque não sei ler muito bem, mas posso ir treinando com os gibis novos. Outra coisa que não gosto muito é ir pra escola porque lá tem muita violência.”

Breno Diego Ferreira da Silva – criança do Sementinha

“Eu conheci o Projeto através da Mariah, ela me disse que participava de um projeto legal, aí eu e o meu irmão Bruno veio visitar e gostamos. O que eu mais gosto é de brincar, participar das atividades e levar livro para casa, por isso adoro as algibeiras, porque eu amo ler. Me sinto muito feliz quando podemos levar os livros para casa e depois contar para o pessoal a historia. Amo ajudar, aqui no projeto sempre estou ajudando a tia a entregar os lanches, não só aqui dentro mas fora do projeto também ajudo quando o meu irmão e a Mariah brigam e eu ajudo a resolver. Uma das brincadeiras mais brincadas aqui foi eu que inventei, foi o roda-roda-jequiti, meu irmão trouxe pra cá e todos brincam agora. Não gosto muito quando vou falar e não me escutam, porque quando falam eu escuto. Se eu pudesse mudaria o comportamento de algumas crianças.”

Natiely Ferreira da Silva – criança do Sementinha

“O que mais gosto no Sementinha é brincar. Uma das atividades que mais gostei, foi do rabo do cometa, que tenho até hoje e o apoio de panela. Outro dia eu pedi para todas as crianças arrumar as coisas bagunçadas, porque não é legal deixar bagunça, porque aprendi a ser organizada. Eu gosto muito de ler e o que mais gosto é dos gibis da turma da Mônica. Eu gosto também de Sementinha depois da escola. Eu ficava dormindo e assistindo Tv, não gosto de ficar em casa o dia todo. Mas eu amo esse Sementinha, desde do primeiro dia!”

Ana Clara de Jesus Santos – criança do Sementinha