Coletivo AquilombArte promove a cultura e o empreendedorismo periférico através de lives e podcast

O coletivo AquilombArte, tem como objetivo ocupar espaços públicos, levando a cultura periférica para crianças e adolescentes. No entanto, com a pandemia, eles tiveram que se reinventar e usar novas ferramentas, como as lives no Instagram, para continuar trabalhando suas pautas.

Criado para valorizar a cultura negra na periferia, o AquilombArte nasce de um anseio de escuta e novas oportunidades. “A gente tenta priorizar os artistas e empreendedores pretos da quebrada, priorizar o nosso povo, pois a gente sabe que as oportunidades para nós são reduzidas”, diz Dandara Souza, membro do coletivo AquilombArte.

Além disso, uma das pautas do coletivo é propor um diálogo de arte e cultura nas escolas, mostrando a importância de trabalhar esses temas em conjunto com a educação, fortalecendo a formação dos jovens.

“Somos um coletivo de arte e cultura que, neste momento de pandemia, através das nossas lives, estamos divulgando artistas e empreendedores da nossa comunidade, fortalecendo o trabalho deles. A nossa meta é ocupar os espaços, um desses espaços são as escolas públicas do distrito do Jardim Ângela”, diz Dandara.

Com segmentos como o “Aquilomba Troca”, “Aquilomba Sound” e o “Aquilomba Dicas”, o coletivo tem apresentado conteúdos culturais e relevantes para a periferia sul de São Paulo.

O “Aquilomba Troca” é um bate-papo com artistas e produtores culturais. Já o “Aquilomba Sound” é voltado para apresentações musicais e teatrais,  e, por fim, o “Aquiloma Dicas” é recheado de dicas de autocuidado, cultura e lazer, entre outras coisas. Até agora, por conta da pandemia, o único segmento que estava funcionando era o “Aquilomba Troca”, mas isso mudou com o lançamento de mais uma iniciativa do coletivo.

Na primeira semana de abril, 3, o coletivo AquilombArte lançou o primeiro episódio do “Aquilomba Troca Podcast”. A estreia contou com a presença da Jay Rootz’s quem falou um pouco sobre a sua vivência dentro do movimento hip-hop como b-girl e produtora cultural.

“Acho uma iniciativa muito boa e essencial para a galera da quebrada e até mesmo de fora, informação circulando é sempre bem vinda!”, diz a produtora cultural Jay Rootz’s.

 

A busca por alcance

O podcast nasceu de uma preocupação com o alcance do conteúdo, uma vez que as lives realizadas pelo coletivo não estavam apresentando um alcance significativo, pois, segundo Dandara, eram muito longas. “A gente ainda estava em um processo de tentar entender como falar”, diz ela.

Depois de algumas conversas de mentoria com a Corinna Schabbel, do MentorMe, empreendimento parceiro da Fundação ABH, o coletivo passou a realizar lives mais dinâmicas e teve a ideia de criar um podcast, aumentando ainda mais as opções de mídias, possibilitando que, além de vistos, eles também sejam escutados pelos moradores da periferia sul de São Paulo.

“Achei muito importante ter esse espaço onde a Jay pudesse falar, retratar o que ela passou e o que a fez criar um evento mais voltado para mulheres, mais voltado para mães solos. E foi através dessa inquietação, dessa vontade de falar sobre certas problemáticas de forma mais rápida, que o podcast nasceu”, diz Dandara.

 

O podcast

Segundo dados divulgados pelo jornal O Globo, a busca por podcasts praticamente dobrou durante o segundo semestre de 2020. De acordo com dados divulgados pelo Spotify, a oferta desse tipo de mídia cresceu 90%, de um milhão para 1,9 milhão no período, no último ano.

O objetivo do “Aquilomba Troca Podcast” é ter um espaço onde os membros do coletivo e a comunidade possam falar sobre suas inquietações, vivências pessoais e de pessoas próximas. Cada podcast terá a duração máxima de 8 minutos, buscando entreter as pessoas em pouco tempo e de uma forma assertiva.

“A gente quer que seja dinâmico, que seja rápido para que possamos estar presentes ali na vida das pessoas que nos ouvirem, sem atrapalhar, sem que elas tenham que ficar ali meia hora sentadas escutando a gente”, diz Dandara.

 

Os participantes

O podcast contará com diferentes tipos de personagens, dando destaque para os membros do coletivo e moradores da comunidade, estabelecendo um diálogo entre pessoas com diferentes vivências, mas sempre todos moradores da zona sul de São Paulo. “Não é querendo fazer panelinha, mas a ideia é que a gente fomente a nossa cultura, que a gente tenha esse espaço para falar das nossas vivências, entende?”, argumenta Dandara.

Dandara também comenta que um dos grandes objetivos do podcast é mostrar para as pessoas o que está acontecendo dentro do bairro em que elas vivem, fazendo com que os ouvintes consumam a arte e os negócios que nasceram e se sustentam ali na comunidade.

Para o coletivo é muito importante fazer o dinheiro da comunidade circular dentro dela, por isso eles buscam incentivar as pessoas que os assistem e escutam a “consumirem mais da quebrada”, seja na arte ou na aquisição de diversos tipos de produtos.

“Nossa ideia, no momento, é divulgar tudo isso, vamos apoiar os nossos, porque se a gente não se fortalecer, a gente vai cair. Então, nesse momento de pandemia, tudo fechado,, a gente não pode ir para as ruas, o nosso trabalho é esse, divulgar esses artistas”, diz ela.

 

Próximos episódios

O podcast será curto e contará com um episódio por mês. Mas a periodicidade ainda pode mudar conforme o coletivo for achando a sua voz e descobrindo novas formas de trabalhar.

“Nesse mês agora nós vamos falar sobre literatura infantil e eu vou trazer uma história sobre ‘A Menina Bonita do Laço de Fita’, que é uma história muito representativa para mim, e eu vou contar um pouco dessa representatividade e através disso propor essa reflexão”, conta Dandara.

Ela diz que quer trazer uma reflexão sobre a importância da literatura na vida de crianças e adolescentes, destacando o quanto isso é representativo, e fará isso em forma de podcast: curto, dinâmico e extremamente reflexivo.

 

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