Layla Barbosa, mãe e educadora, cria o “Projeto Grita Mulher” para dar voz para mulheres e disseminar conhecimento sobre pautas femininas

As mulheres que lidam com a maternidade em suas vidas são um dos grupos mais prejudicados, especialmente profissionalmente. 30% das mulheres deixam o mercado de trabalho para cuidar dos filhos, contra apenas 7% dos homens, é o que mostra uma pesquisa da Catho realizada em 2018 com 2,3 mil pessoas entrevistadas.

Além disso, existem diversos outros fatores e temas que são pouco discutidos, mas afetam a vida de milhares de mulheres, mães ou não, de todo o Brasil. E foi com base nessa necessidade de discutir temas importantes para o universo feminino que surgiu o “Projeto Grita Mulher”.

 

O Projeto Grita Mulher

Layla Barbosa, 23 anos, é moradora do Capão Redondo, zona sul de São Paulo, mãe da Areta de 3 anos, educadora em ONG para crianças em situação de vulnerabilidade social, educadora sexual, doula e criadora do “Projeto Grita Mulher”.

O projeto foi criado em outubro de 2020 e era realizado por meio de encontros com mulheres da região, permitindo que elas pudessem discutir temas importantes para a sociedade, focando sempre em pautas femininas.

O projeto traz à luz temas como métodos contraceptivos, direitos sexuais, direitos reprodutivos, saúde íntima, entre outros assuntos que fazem a diferença nas vidas de mulheres de todas as idades.

A educadora diz não ter a pretensão de salvar ninguém com o projeto, mas reconhece a importância dele na ausência de um Governo que cumpra o papel de disseminar essas informações.

“Eu gostaria muito que fosse o estado que fizesse isso, eu gostaria muito que as mulheres chegassem nas escolas e tivessem uma aula sobre isso, e os meninos também, pois é muito importante” diz Layla.

 

O Podcast

Foi em tempos de pandemia que a Layla teve a ideia de criar o podcast “Grita Mulher”. “Ninguém estava podendo se ver, eu estava desempregada e queria muito continuar esse trampo” conta ela.

Surgiu então a ideia de criar um podcast para falar sobre conteúdos relevantes ao universo feminino, porém com ainda mais alcance, especialmente em tempos de quarentena. “Pensei no podcast porque é um áudio que mando no WhatsApp delas. Curto, mas com informação de qualidade”, diz Layla.

O podcast nasceu de uma insatisfação com o momento atual e a necessidade de colocar isso para fora. “Chega de mordaças, chega de amarras, vamos falar de coisas que são parte da realidade das pessoas e que elas vão se identificar. Eu acho muito importante quando a periferia faz cultura para a periferia, isso é bem potente na minha visão”, diz a educadora.

Layla conta com a ajuda de um editor, de uma amiga e da mãe, quem deu o microfone para que ela pudesse fazer as gravações com uma melhor qualidade de áudio.

Apesar de ser recomendado para todos os públicos, o podcast é focado nas pautas femininas e contará com convidadas escolhidas pela Layla, mulheres com diferentes vivências e “bom papo”, como diz ela. “Dar voz a pessoas que eu gosto do papo, mulheres falando com mulheres e sobre mulheres”, comenta. 

 

Gravidez compulsória

Layla engravidou aos 19 anos e conta que, por não ter sido uma gravidez planejada, isso a afetou de muitas formas. “Eu acho que uma gravidez em si é um processo muito complexo, sabe? Independente da idade. Mas quando você não planeja algo tão grande, eu acho que você tende a dar uma pirada”, diz ela.

A educadora explica que no Brasil a gravidez é compulsória, ou seja, as mulheres são obrigadas a serem mães. De acordo com a segunda edição do “Mapa da Desigualdade da Primeira Infância”  divulgado em fevereiro de 2020, a chance de uma adolescente engravidar precocemente no distrito de Marsilac, no extremo sul de São Paulo, é até 50 vezes maiores do que as jovens de até 20 anos em Moema, na zona sul.

“Gravidez não é uma escolha em um país onde o aborto é criminalizado de uma forma horrenda, que obriga mulheres pobres, pretas e periféricas a abortarem clandestinamente, e mulheres brancas, que tem grana, a abortarem em clínicas”, diz Layla.

Além disso, a educadora também conta que o sistema não está nem um pouco preparado para lidar com jovens grávidas. “Eles (o sistema) obrigam jovens a permanecerem grávidas e depois eles não dão a estrutura mínima para que elas tenham um teto sob as suas cabeças, um apoio, leite para as crianças, apoio psicológico e financeiro”, destaca ela.

 

Presente do “Dia das Mães”

Segundo a educadora, sua mãe e sua avó são as mulheres que ela mais admira e que dão forças e inspiração para ela seguir com o seu projeto. “Estou cercada de mulheres fortes que eu amo, que chutam o pau da barraca quando precisam chutar, que sabem ser delicadas e dar um abraço quando precisam, mesmo com todas suas dores”, diz Layla.

O que pedir de presente de “Dia das Mães”? A Layla respondeu que se ela pudesse pedir qualquer coisa agora, ela pediria pelo fim da pandemia, pois ela lida com famílias e crianças o tempo todo e o fim da pandemia permitirá que essas mães possam voltar a trabalhar.

“Eu gostaria que as mulheres tivessem empregos decentes, que tivessem no mercado de trabalho, que fossem professoras e astronautas, que se quisessem pudessem ficar em casa cuidando de seus filhos, mas porque elas decidiram e não porque elas foram obrigadas por um sistema que sempre colocam as mulheres sempre nesse papel de cuidadora e nunca se preocupam com a saúde mental delas”, diz Layla. 

 

A origem da data

O Dia das Mães é uma das datas comemorativas mais importantes do Brasil, sendo escolhida tal como o próprio nome diz, para homenagear mães de todo o país.

A data foi oficializada no Brasil em maio de 1932, por meio do decreto nº 21.366, do presidente Getúlio Vargas. De acordo com o documento, e seguindo a tradição americana, determinou-se o segundo domingo do mês de maio como o dia de comemoração e homenagens às mães.

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