Projeto Kabuto: Inclusão social através do esporte

Além do esporte e a cultura serem um direito de todos, trazem uma série de benefícios ao praticante: qualidade de vida, saúde, desenvolvimento humano e a inclusão social, este último um dos princípios do Projeto Kabuto sobre o qual falaremos neste texto.

Para compreender melhor o papel dessa iniciativa na região do Campo Belo, periferia sul de São Paulo, e como ela impacta no desenvolvimento comunitário local, conversamos com o fundador Danilo Santos, ex-atleta de Karatê, que se dedica a apresentar o caminho dos samurais para dezenas de crianças, adolescentes e adultos em situação de vulnerabilidade.

Nasce o Projeto Kabuto

O Projeto Kabuto renasceu em 2017, após um grande incêndio destruir o material que a iniciativa possuía, com o objetivo de oferecer esporte e cultura para crianças que viviam em situação de vulnerabilidade no Campo Belo, região considerada nobre, mas que carrega uma realidade nada promissora para a população menos favorecida.

O distrito aparece na lista dos 10 piores bairros da capital em 15 dos 53 indicadores sociais avaliados pelo Mapa da Desigualdade 2018, pesquisa realizada pela Rede Nossa São Paulo que analisa a cidade em diversos aspectos, como meio ambiente, mobilidade urbana e saúde pública.

“O Projeto Kabuto iniciou suas atividades com cinco crianças e hoje são mais de 70 pessoas, entre crianças, adultos e adolescentes. Ele surgiu de algo que sempre me incomodou, porque a nossa região é nobre e eu nunca tive acesso a nenhum tipo de esporte, cultura ou algo do tipo” pontuou Danilo.

Desenvolvimento, metas e conquistas do Projeto Kabuto

Atualmente, o Projeto Kabuto oferece, de forma gratuita, práticas de Karatê, Boxe, Jiu-Jítsu, inglês e ciências criativas a todos os públicos com o intuito de desenvolver nos participantes tanto habilidades motoras quanto psíquicas, sempre com base nos princípios do samurai, cujo elmo, uma espécie de capacete, dá nome e vida ao projeto.

“Kabuto é o capacete do samurai, que carrega consigo várias dignidades: humildade, respeito, lealdade e disciplina e é uma das missões do projeto repassar isso para a molecada, mostrando que eles são capazes de tudo tendo esses princípios básicos na vida”, explica o ex-atleta.

O projeto segue dando oportunidades e mudando a vida de dezenas de pessoas. Em 2018, o Kabuto foi destaque no Torneio Internacional da Seiwakai, no qual pelo menos oito atletas se classificaram em primeiro lugar no primeiro campeonato que participaram na vida.

“As artes marciais te ensinam a se superar todos os dias e levar as superações do tatame para vida […] tendo respeito, humildade e disciplina, você é capaz de chegar a qualquer lugar”, destacou Danilo.

Para o futuro, o fundador da iniciativa almeja transformar a vida de cada vez mais pessoas, sempre com base nos princípios e valores ensinados pelos samurais, mas também ampliar o leque de atuação do projeto e proporcionar melhorias no atendimento aos participantes; oferecer alimentação após os treinos e seminários para que os alunos conheçam novas modalidades esportivas e ampliem seu repertório sobre diversos outros temas.

A Fundação ABH e o Projeto Kabuto

Nós da Fundação ABH agradecemos ao Danilo Santos e a todos os envolvidos no Projeto Kabuto pela confiança  e troca de experiências e vivências conosco no edital aTUAção PerifaSul, que ofereceu oficinas, mentorias e apoio financeiro para que iniciativas e lideranças locais da periferia sul de São Paulo pudessem se desenvolver e impulsionar o território em que atuam.

“Foi uma experiência incrível em nossas vidas a contribuição não só financeira, mas o apoio psicológico, o apoio motivacional e ver outros projetos sociais junto com a ABH”, destacou Danilo.

O Projeto Kabuto é uma das iniciativas que promove o acesso ao esporte e a cultura como instrumento de inclusão social e desenvolvimento humano de crianças, adolescentes e adultos da periferia sul de São Paulo, necessidade esta que foi levantada pelos participantes do PerifaSul 2050, uma iniciativa idealizada pela Fundação ABH e construída em conjunto com atores locais que identifica as temáticas prioritárias para o território e pensa em possíveis ações para trazer melhorias e desenvolvimento local

“A periferia sul de São Paulo tem um grande potencial humano, criativo, articulado e capaz de desenvolver ações que possam servir de modelo para outras regiões do Brasil. Por isso, tudo que desenvolvemos tem sempre a participação de atores locais na sua concepção”, explica Marina Fay, Diretora Executiva da Fundação ABH.

Reforçamos aqui que compactuamos e nos inspiramos com o modo de pensar e fazer do Projeto Kabuto, pois também acreditamos que essa caminhada só é possível em grupo e baseada em respeito, humildade, disciplina, lealdade e empatia.

 

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