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Janeiro Branco: Impactos da Pandemia na saúde mental do jovem periférico

A pandemia da Covid-19 fez com que todas as atenções se voltassem para a saúde da população mundial. Mas, além dos cuidados para evitar a contaminação pelo vírus, outros aspectos chamaram a atenção e foram alvo de estudos, como os impactos da pandemia na saúde mental da juventude periférica brasileira.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o segundo país das Américas com o maior índice de pessoas depressivas, cerca de 5,8% da população. Quando se trata de transtornos de ansiedade, o país é o mais afetado do mundo, com aproximadamente 9,3% dos brasileiros enfrentando a doença.

Durante a pandemia, lidar com um vírus desconhecido, viver o isolamento social e enfrentar o desemprego ou afastamento das atividades, foram os fatores que mais afetaram a vida e a saúde mental do jovem periférico. Dessa maneira, sobretudo neste período complexo, se faz necessário ações que chamem a atenção para esses aspectos como, por exemplo, a campanha do Janeiro Branco. Você conhece?

Em sua 8ª edição, com o lema “Todo Cuidado Conta”, o Janeiro Branco foi criado em 2014, por um grupo de psicólogos de Uberlândia, Minas Gerais, e em 2021 propõe um pacto pela saúde mental da população mundial no contexto da pandemia da Covid-19 com o objetivo de refletir sobre os efeitos do isolamento social no estado emocional das pessoas em geral.

A pesquisa “Juventudes e a Pandemia do Coronavírus” trouxe luz a essa situação ao entrevistar jovens de todo o Brasil, que atualmente somam 47,2 milhões, equivalente a cerca de 23% da população brasileira, sobre os impactos deste período em diversos aspectos de suas vidas.

O estudo ouviu mais de 33 mil pessoas e apurou que o estado emocional e a disponibilidade de recursos financeiros foram os pontos que mais pioraram durante este período de quarentena.

De acordo com o levantamento, quase 7 em cada 10 jovens declararam ser parcial ou totalmente dependentes financeiramente, sendo que 6 em cada 10 jovens que têm emprego viram sua carga de trabalho ser alterada de alguma forma desde o início da pandemia, seja por aumento, redução, parada temporária ou demissão.

Consequentemente, tal situação teve grande impacto sobre a renda dos entrevistados. 4 em cada 10 jovens mencionaram que diminuíram ou perderam sua renda. No entanto, a renda familiar foi a mais afetada, com 5 em cada 10 jovens indicando redução na renda de suas famílias. Por isso, 3 em 10 buscaram alguma forma de complementar a sua renda no final do mês.

De outro lado, esse acúmulo de situações naturalmente refletiu no estado emocional dos jovens, que apontaram a ansiedade, o tédio e a impaciência como os sentimentos mais presentes durante o isolamento social. Muito se deve ao fato de haver a necessidade de se manter, caso possível, afastado de suas atividades rotineiras, dos familiares, amigos, etc.

Isso se revela quando os jovens ouvidos falaram sobre suas maiores preocupações durante este momento; 75% deles apontaram o medo de perder algum familiar, 48% disseram temer serem infectados e 45% têm receio de contaminar outras pessoas.

Os impactos da pandemia na saúde mental do jovem periférico

No contexto da periferia, lidar com todas essas questões pode ser ainda mais cruel.

O Observatório De Olho na Quebrada fez um levantamento sobre os efeitos da pandemia nos moradores de Heliópolis, maior favela de São Paulo, localizada na periferia sul da cidade.

Com o apoio de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o Observatório entrevistou 281 habitantes da região, dos quais 86% relataram episódios de depressão e 90% contaram que não estavam realizando suas atividades normais.

O estudo também observou que as pessoas se mostraram mais tensas e revelaram que a pandemia impactou diversos aspectos de sua vida, como a hora de dormir, o que influencia na perda de energia e foco na realização de atividades diárias.

Iniciativas oferecem apoio psicossocial na periferia sul de São Paulo

A exemplo do Janeiro Branco, ações para cuidar dos aspectos emocionais são necessárias. É importante destacar iniciativas da periferia sul de São Paulo que há tempos oferecem apoio psicossocial para os jovens da comunidade, outras que iniciaram essa ajuda durante a pandemia, e que têm sido fundamentais para auxiliar o jovem a atravessar esse momento com mais serenidade.

A Casa do Zezinho, no Capão Redondo, há 20 anos desenvolve um trabalho educacional e assistencial na região. Em 2013, a organização inaugurou uma unidade exclusiva para oferecer apoio psicológico e terapias alternativas para a população local através do projeto “Se cuida, Zezinho!”.

A Fundação Julita, no Jardim São Luís, realiza em seu espaço programas que atendem do público infantil ao idoso. Dentre os serviços disponíveis está o de apoio psicológico, que foi amplamente solicitado neste período de pandemia, de acordo com o relatório da instituição.

Algumas iniciativas apoiadas pela Fundação ABH e parceiros também oferecem essa assistência, como o Coletivo Feminismo Comunitário que promove encontros na comunidade do Real Parque com foco na mulher. As reuniões funcionam como uma espécie de terapia coletiva para fortalecer a mulher periférica, sobretudo as que se encontram em situação de vulnerabilidade, como as vítimas de violência doméstica, por exemplo. Depressão, saúde e direitos da mulher são alguns dos temas abordados.

As unidades II, no Parque Santo Antônio, e III, no Jardim Ângela, do CEI Caminhar com Amor desenvolvem o projeto “Despertar da Consciência”, que oferece apoio psicológico para sua equipe, crianças atendidas e suas respectivas famílias por meio de terapias alternativas, como Yoga, Meditação, Shantala e Comunicação Não Violenta.

O TrançAmor disponibiliza serviços de assistência psicológica com foco na autoestima do jovem periférico.

Além desses, há muitas outras iniciativas que usam da arte, cultura e o contato com os esportes para fortalecer e desenvolver a capacidade da população periférica em geral, sendo um grande suporte em tempos difíceis, como os Coletivos TrouPé na Rua, que tem foco na arte circense, Fora de Frequência, que destaca o Hip Hop e o Karatê d’Quebrada, que usa o esporte como ferramenta motivacional.

 

Vamos juntos nessa jornada em busca do equilíbrio mental?

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