Saiba como foram criados os GTs (Grupos de Trabalho) do PerifaSul 2050

Você já deve ter lido, assistido ou escutado diversos mitos acerca da cultura de doação. Ideias e crenças distorcidas de que o brasileiro não tem o hábito de doar ou de que doar é um mau negócio. Neste artigo vamos te ajudar a desmistificar dois mitos e mostrar que o Brasil é um país de doadores, mas que ainda tem muito espaço para melhorar.

Sempre pensando em ampliar a participação dos atores da periferia sul de São Paulo, a Fundação ABH lançou, em fevereiro de 2021, o PerifaSul 2050. O processo teve como objetivo discutir as prioridades da periferia da zona sul até 2050 e construir um plano macro com ações que pudessem contribuir para o enfrentamento dos problemas socioambientais no território e com o desenvolvimento comunitário local.

A participação coletiva foi fundamental para que o projeto começasse a tomar forma. Por meio de pesquisa desenvolvida pela Fundação ABH, a comunidade pôde contribuir com informações valiosas respondendo à questão “o que queremos para a periferia sul em 2050?”. Com base nas respostas, foi possível identificar as prioridades da população local e aprofundar discussões focadas em temáticas específicas e urgentes como educação, lazer, esporte, moradia, meio ambiente, arte e cultura, empreendedorismo, entre outras.

PerifaSul 2050

Dessa maneira, ao longo do ano de 2021, oito reuniões foram estabelecidas para discutir o cenário e atuação social na região sul. Como resultado desses encontros e das demandas trazidas pela comunidade, 3 grandes pilares foram constituídos para continuidade do projeto. São eles: Inclusão Produtiva, Desenvolvimento Comunitário e Vida Digna & Bem-estar.

É importante ressaltar que o movimento PerifaSul 2050, idealizado e coordenado pela Fundação ABH, teve o apoio do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), e foi co-construído ao lado de agentes locais.

Para Dandara Souza, produtora cultural e fundadora do Coletivo AquilombArte, a participação nos encontros possibilitou muitos aprendizados e, principalmente, enxergar as possibilidades de melhoria em meio aos desafios de ser um ator social importante para o território.

“Eu vejo o PerifaSul 2050 em um lugar de conexão. Por meio dessas discussões e dos planos de ação vamos avançando pautas e aprendendo a ‘ vender’ projetos culturais, por exemplo, ressignificando a arte como arrimo familiar também”, relata a produtora cultural.

Da mesma forma, Alan Benelli, diretor executivo do Coletivo Fora de Frequência destacou a importância de participar pela primeira vez de um projeto como o PerifaSul 2050, que visa ser um agente articulador de ideias, propostas, debates e, principalmente, encontrar caminhos sustentáveis para dar mais visibilidade e valorização aos artistas periféricos.

“Eu participei desses encontros de forma ativa, propondo, articulando, conversando e construindo com outros articuladores de várias frentes. Juntos, desenvolvemos um trabalho de visão relevante para médio e longo prazo que vai impactar todos do território”, destaca Benelli.

GTs – Grupos de Trabalho

As discussões avançaram e com elas a participação efetiva da comunidade que, por sua vez, trouxe temas bastante complexos para serem abordados. Vale destacar que a periferia tem necessidades e demandas muito específicas, como por exemplo, a segurança alimentar, empregabilidade, economia criativa, mobilidade urbana, dentre outras e, portanto, as soluções precisam ser pensadas com um olhar que parte da própria comunidade.

Para ampliar o debate de temas tão importantes surgiu a necessidade da criação dos GTs (Grupos de Trabalhos). Inicialmente, a ideia de formação dos grupos considerava a abordagem de seis macrotemáticas para serem trabalhadas: Saúde e Segurança Alimentar, Moradia e Questões Ambientais, Redução da Violência, Desenvolvimento Comunitário, Inclusão Produtiva, Esporte, Arte e Cultura.

Embora os seis temas sejam considerados prioritários para o território, critérios como familiaridade com os temas e material humano especializado eram fundamentais para o avanço das ações. Além disso, quando uma nova ideia é testada precisa de tempo para ampliar o modelo em escala maior. Por outro lado, também é necessário de investimento em dinheiro para a realização de um piloto como este e, neste caso, o recurso aplicado foi suficiente para decidir por dois GTs deixando os demais temas para um segundo momento.

Outro ponto determinante que foi considerado no momento da decisão pelos dois GTs iniciais, foi a chance de elaborar e executar planos de ações em curto prazo e o fato de o grupo já contar com especialistas que facilitariam o desenvolvimento das ações. Desse modo, o processo teve início com os grupos de trabalho Inclusão Produtiva, que inclui as temáticas empregabilidade, economia criativa e empreendedorismo e Esporte, Arte e Cultura para o início dos trabalhos.

Os grupos foram estrategicamente pensados para a atuação de agentes locais e, com isso, dar ainda mais protagonismo e foco para os atores da periferia sul, aumentando a participação social focada no território.

Com os GTs em andamento a ideia é, para além de responder efetivamente à pergunta “o que queremos para a periferia sul em 2050?”, planejar e executar melhorias para a periferia sul. É importante destacar que, por se tratar de um piloto, atualmente os GTs contam com três membros cada um. Dessa forma, juntos, os atores se identificam enquanto grupo, testam sugestões, aprendem, trocam e valorizam experiências. Os grupos de trabalho oferecem caminhos para transformar a periferia em um ambiente ainda mais próspero partindo da discussão de ideias dos agentes sociais do próprio território.

Os frutos dos encontros desses grupos de trabalho já existem e muito em breve serão divulgados. Contudo, a Fundação ABH adianta que a partir dos encontros do GT Inclusão Produtiva, um e-book será lançado. Como resultado inicial do GT Esporte, Arte e Cultura um grande mapeamento dos equipamentos, coletivos, pessoas e mobilizações artísticas, culturais e esportivas será apresentado em pouco tempo.

Este projeto, desenvolvido com a ajuda de toda a comunidade da periferia sul, será extremamente importante para os próximos anos de trabalho da Fundação ABH. Por meio dele será possível mapear os desafios da região, os gargalos deixados pelo poder público e as oportunidades de transformar o território apostando em ideias e projetos inovadores de atores locais.

“O movimento PerifaSul 2050 é, antes de mais nada, uma imersão nas necessidades, desejos e anseios do território. Por outro lado, é a oportunidade de trazer ainda mais o conceito de desenvolvimento comunitário para a periferia sul de São Paulo”, finaliza Marina Fay, diretora executiva da Fundação ABH.

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