Segurança Alimentar: Influência da Gastronomia Sustentável no combate à fome

Começamos esse artigo com um dado alarmante e extremamente importante para discussão. Um levantamento realizado este ano pela Prefeitura de São Paulo, revelou que mais de 90% das famílias que passam fome na cidade de São Paulo, moram na zona sul da cidade.

Baseado nesse dado e pelo fato de Saúde e Segurança Alimentar serem temas prioritários do PerifaSul 2050, o tema escolhido deste post é Segurança Alimentar e Gastronomia Sustentável.

O Dia Mundial da Segurança Alimentar foi instituído no dia 7 de junho de 2018, pela ONU (Organização das Nações Unidas) e tem como objetivo divulgar a importância da segurança alimentar, desde a produção do alimento até o seu armazenamento e consumo, evitando danos para a saúde humana, reconhecendo a gastronomia ambientalmente responsável.

Segundo a Lei de nº 11.346 de 2016 entende-se como definição, Segurança Alimentar e Nutricional, a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis. 

De certa forma, Segurança Alimentar é a garantia de todas as dimensões que inibem a ocorrência da fome, ela envolve a disponibilidade e acesso permanente de alimentos, pleno consumo sob o ponto de vista nutricional e sustentabilidade em processos produtivos.

Já a Gastronomia Sustentável é aquela que se preocupa com o uso dos elementos, alimentos em sua totalidade, respeitando a sazonalidade (tempo das coisas e da natureza), se relacionando com os ingredientes de forma respeitosa, além de inserir práticas sustentáveis em todas as etapas do processo de preparação, promovendo melhorias na qualidade de vida da população local, via alimentação saudável e consequentemente saúde,  e do meio ambiente.

Na zona sul de São Paulo, existem negócios voltados à alimentação, gastronomia, colaboração da Saúde e Segurança Alimentar na região, podemos citar como exemplos, a Quebrada Orgânica cujo trabalho já abordamos em outro post, e outros como, Organicamente Rango, Recicla Alimentos, Nossa Fazenda, VegeArte, TrançAmor e a Gastronomia Periférica.

Luciana dos Santos, idealizadora do Recicla Alimentos, começou em 2017 o negócio chamado “Lu doce” onde realizava a venda de bolos e doces em eventos culturais. Durante o trabalho, ela percebeu o quanto de resíduos produzia no meio ambiente com as embalagens e foi aí que surgiu a ideia em vender sua comida sem elas, com práticas sustentáveis.  

O Recicla Alimentos foi criado e funciona como prestação de serviço de ecogastronomia no espaço físico da casa ecoativa em Parelheiros, São Paulo. “Tenho como objetivo compartilhar sobre a questão nutricional dos alimentos e mostrar como podemos substituir por outros com custos mais acessíveis da safra e disponíveis, como as Pancs (plantas alimentícias não convencionais) por exemplo.” 

Luciana, pretende ter o seu próprio espaço físico, além de acolher e multiplicar o que ama fazer que é cozinhar. “O objetivo é reverberar essa atitude de que meu trabalho muda e interfere na vida das pessoas de forma positiva, fazendo com que as pessoas repensem o consumo de descartáveis e desperdício de alimentos.”

A Gastronomia Periférica fundada também em 2017, é um negócio social que combina desenvolvimento técnico e humano periférico para a área de gastronomia, conscientizando sobre o aproveitamento total dos alimentos, abrindo novas possibilidades de empreender. Fundado pela coordenadora Adélia e o educador Edson, o negócio social oferece uma formação profissional de qualidade, totalmente gratuita para a periferia da zona sul de São Paulo.

Além da escola de gastronomia, o negócio social oferece algumas iniciativas, tais como, curadorias, serviço de catering (serviço de fornecimento de refeições coletivas), produção de conteúdo, como canal de YT e a criação do APP IFOOD da quebrada, aplicativo de mapeamento gastronômico periférico, que leva visibilidade a comerciantes locais da periferia, contribuindo no desenvolvimento da economia local.

O catering da GP é chamado de RANGO, um serviço diferenciado, pautado exatamente no perfil de cada cliente, para eventos da Gastronomia Periférica, sempre buscando o desperdício zero e aproveitamento total de alimentos, gerando também oportunidades de emprego e inclusão social.

Mas afinal, qual é a relação da fome com a Segurança Alimentar e Gastronomia Sustentável?

Nós te afirmamos que tem total relação!

Como o próprio nome já diz, a Segurança Alimentar é a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente. A fome nada mais é que a sensação fisiológica que se sente quando o organismo necessita de reposição nutricional, ou seja, quantidade insuficiente de alimentos.

Em 2015 a ONU propôs às nações signatárias novos desafios na busca por um desenvolvimento responsável, os famosos Objetivos de Desenvolvimento Sustável (ODS), diretamente ligados com alimentação e meio ambiente, sendo algum deles: erradicação da pobreza, fome zero e agricultura sustentável, saúde e bem-estar e educação de qualidade.

O ODS Fome Zero e Agricultura Sustentável planeja, até 2030, erradicar a fome e garantir o acesso de todas as pessoas, em particular os pobres e pessoas em situações vulneráveis, incluindo crianças e idosos, a alimentos seguros, culturalmente adequados, saudáveis e suficientes durante todo o ano.

A Gastronomia e Agricultura Sustentável são meios de combater a fome!

A prática da Gastronomia Sustentável promove o desenvolvimento agrícola, a  economia local, a alimentação segura, nutrição, produção sustentável e a conservação da biodiversidade. A compra de alimentos locais cultivados por pequenos agricultores ou o consumo de alimentos conforme a safra, a utilização total de alimentos evitando desperdícios, o resgate e cultivo de plantas alimentícias, como a vinagreira e a taioba por exemplo, são algumas atitudes dessa prática fundamentada.

A gastronomia sustentável vai além, ela se preocupa com os nutrientes que compõem o alimento, está relacionada à mudança nos impactos causados pelo consumo alimentar, como o desperdício de comida, o consumo consciente de produtos em risco de extinção, a coleta seletiva e o reaproveitamento de alimentos.

A agricultura sustentável tem papel parecido no que diz respeito a cuidar do meio ambiente, ela persegue três objetivos principais: a conservação do meio ambiente, unidades agrícolas lucrativas, e a criação de comunidades agrícolas prósperas. Agroflorestas são claramente um exemplo de agricultura sustentável, a Quebrada Orgânica, realiza um trabalho essencial para a  comunidade da zona sul de São Paulo.

A Gastronomia Periférica realiza também, além da profissionalização e de todo cuidado em relação ao aproveitamento total dos alimentos, doações de cestas básicas e itens de higiene para  famílias em situação de vulnerabilidade social, feitas pelo Fundo de Necessidades Básicas criado em 2020, para o enfrentamento da fome, de forma a minimizar os impactos da carência alimentar.

“Temos o cuidado de ligar para quem vai receber a doação e perguntar o que eles realmente precisam. Perguntar o que o outro quer, respeita a humanidade de cada um e é o que acreditamos”, cita Adélia, fundadora da Gastronomia Periférica.

Gostou do assunto? Fique ligado, que nos próximos posts buscaremos outras pautas importantes do PerifaSul 2050 que contribuem com o desenvolvimento comunitário local para aprofundarmos aqui.

 

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